Uso seguro de agrotóxicos é irreal, entrevista com Karen Friedrich

Profa. Dra. Karen Friedrich é entrevistada pela equipe do Plantas, Cultura e Saúde

Profa. Dra. Karen Friedrich (esq.) alerta para o risco do uso combinado de diferentes agrotóxicos enquanto é entrevistada por Juliana Correa (dir.).

Especialista em toxicologia e saúde humana, Karen Friedrich tem sido uma das vozes que alertam a sociedade sobre o risco que o uso de agrotóxicos representa para a saúde e o meio ambiente. Nessa entrevista, que será publicada em duas partes, ela nos explica o porquê da controvérsia entre diferentes instituições sobre o perigo no uso desses produtos químicos. Enquanto as agências reguladoras (como Anvisa, FDA, nos EUA, BRF, da Alemanha, entre outras) elaboram seus pareceres com base em estudos fornecidos pelos próprios fabricantes que avaliam seus efeitos de forma isolada, instituições como o INCA (Instituto Nacional do Câncer), ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Saúde) analisam pesquisas com populações expostas e que investigam a interação de diferentes produtos, algo mais próximo ao que acontece na realidade. O resultado das avaliações é totalmente distinto. Na perspectiva da saúde, não resta dúvida da relação de causa e efeito entre casos de câncer e a exposição a agrotóxicos.

Karen Friedrich é professora adjunta do Departamento de Saúde Coletiva da Unirio, pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, além de ser integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBIO), comissão de especialistas que avalia o uso de transgênicos no país.

Qual é o impacto do uso de agrotóxicos na saúde humana e no meio ambiente?

Karen Friedrich – Bom, agrotóxicos, segundo a lei, são produtos que são aplicados tanto para controle de espécies na agricultura, como no ambiente urbano. Então, no ambiente urbano, por exemplo, o inseticida doméstico pode até ser considerado um agrotóxico. Com isso, a gente vai ver que o efeito é muito disseminado em diversos grupos de pessoas. Quando ele é usado nas plantações e na agricultura, o primeiro impacto é sobre o trabalhador rural, quem está aplicando. Um dos principais meios de aplicação é a aplicação costal, o trabalhador coloca o galão nas costas e pulveriza, dessa forma, ele absorve bastante quantidade de forma rápida, há os que aplicam por trator e por avião.

Desde que agrotóxico é retirado da embalagem, misturado, preparado e colocado nos tambores, tem o contato do ser humano com o agrotóxico. Os trabalhadores que manipulam ou convivem com produto são atingidos de forma muito mais intensa. Por outro lado, quem está na região próxima, nos arredores dos locais de plantação, também é um grupo populacional que será atingido em uma quantidade bem grande. Ou seja, a partir do momento em que alguém pulveriza, por avião ou trator, essa nuvem vai se disseminar, quanto maior a distância que percorrer e alcançar, mais pessoas ela vai atingir também.

Outro grupo populacional que é muito importante também é que consome o alimento que foi produzido e cultivado com agrotóxico. Aí, tem um impacto que é muito grande, porque são diferentes grupos populacionais e diferentes fontes de contaminação.

Que tipos de produtos químicos são chamados de agrotóxicos?

Karen Friedrich – Há vários grupos químicos: os organofosforados, que tem uma ação semelhante ao que foi usado na Segunda Guerra Mundial. Eram usados como arma química e quando acabou a guerra passaram a ser vendidos para aplicar na agricultura. Foi uma ideia da indústria de agrotóxicos de produzir e ganhar dinheiro com isso. São muito tóxicos, principalmente para quem os  absorve rapidamente, tem efeitos graves sobre o sistema nervoso. Quando a pessoa chega no atendimento intoxicado com agrotóxico, por organofosforados, ela tem tremores, pode ter convulsão e chegar até a morte.

Outro grupo químico que não tem mais registro no Brasil é o de organoclorados, como o DDT (origem da palavra “dedetização”). O DDT tem cloro na sua composição e se liga ao tecido adiposo, na gordura, não só a nossa, como a dos animais da cadeia alimentar, então significa o que? Hoje não se usa mais o organoclorado, mas a gente ainda sofre as consequências do que foi usado há 20 e 40 anos. Porque ele continua na natureza, no leite materno, na gordura dos animais selvagens.

Outro grupo muito importante é o dos neonicotinóides. Dentro do grupo tem dezenas ou centenas de agrotóxicos são comercializados. A “promessa” dos neonicotinóides seria a de atacar mais os insetos do que as pessoas. Isso de fato é verdade, mas o que acontece é há um inseto que ninguém quer que morra: as abelhas. Usado em grandes quantidades está provocando diminuição na população de abelhas. Há estudos no Brasil, na Europa, nos EUA mostrando a perda de várias produções de colmeias por conta dos neonicotinóides.

Os piretróides são outro grupo importante, são os que se usa em casa para matar barata, em vez de usar o chinelo, usa o inseticida. Esse tipo é também muito tóxico.

Então, o impacto na saúde não é só do efeito daquele agrotóxico individualmente, mas do grande espectro de uso, ou seja, na agricultura, dentro de casa. Outra questão importante é o efeito das misturas, porque se pegar o que pode ser usado, por exemplo, no tomate, pimentão, batata, uva e morango, há trinta ou quarenta tipos. No tomate, são mais de cem agrotóxicos autorizados! A gente torce para que o agricultor não use os cem, porque isso vai ser ruim para quem consome, mas principalmente para ele. Mas é “legalizado”.

Há vários agrotóxicos registrados para um único alimento. O que acontece quando você fizer o seu prato de comida: você vai ter o arroz, o feijão, a salada, a carne que também pode ter agrotóxico, mas não se pesquisa… O boi estava lá pastando e passou uma nuvem pulverizada por avião, vai se contaminar também. Isso é o que se chama de um risco acumulado, o risco agregado de vários alimentos, de várias possibilidades de contato com agrotóxico. E aí, o que acontece com esse efeito dessa mistura, desse coquetel de agrotóxicos?

Foto: Campanha permanente contra os agrotóxicosUm produto químico interagindo com outro? Se a gente for pensar na farmacologia, o que acontece? A gente estuda na farmacologia a interação dos medicamentos e a possibilidade de interação. Nós, da toxicologia, que vemos o lado tóxico, o lado negativo das substâncias químicas, investigamos isso. O que acontece é que, assim como no medicamento, não pode misturar com outro, pois pode haver efeito adverso prejudicial à saúde, do mesmo modo, ocorre com os agrotóxicos. Mas quando a ANVISA dá o carimbo “esse agrotóxico pode ser usado”, ela só vai considerar como se aquele agrotóxico fosse o único a ser usado no planeta. Essa condição única, em que ele é seguro, é irreal. Se são permitidos 140 agrotóxicos para o tomate, qual é a interação desses? Ou qual a interação de dois, três, quatro e cinco, entre os mais usados para o tomate? Isso a ANVISA não investiga. Se a gente for pensar, a ANVISA faz o que está na lei, na regulamentação que ela propõe. Ela faz, mas isso é insuficiente para gente dizer que um agrotóxico é seguro para saúde humana? Então as consequências vão se somando e na medida em que a gente avalia essa limitação, a gente vê que, de fato, não existe situação em que a gente pode dizer que é seguro o uso de agrotóxicos.

Quando se fala de agrotóxico, pensa-se em câncer. O que já existe de comprovação da relação de causa e efeito do câncer com o uso de agrotóxico?

Karen Friedrich – O câncer tem a questão cultural, que é muito grave, então a gente sempre se preocupa muito com câncer. É uma doença que tem uma latência muito longa, surge a partir de uma única célula nossa de qualquer parte do corpo que sofreu uma mutação e que vai se multiplicar desenfreadamente até virar um tumor. A partir do momento em que ele tem naquele tumor alguma característica que permite que as células do tumor extravasem, vira um tumor maligno. Esse processo, da célula até um tumor diagnosticável, pode levar 10, 20, 30 anos, pode levar 60 anos e pessoa pode nem descobrir que tem um câncer. É muito difícil dizer, a pessoa está com um tumor: mas o que aconteceu com ela antes para ela ter esse tumor? É muito difícil fazer essa associação. É diferente, por exemplo, se a pessoa comeu um alimento e tem sintomas de alergia, passa a se saber que é alérgico àquele alimento. O câncer não, o efeito só vai ser percebido muito tempo depois.

Sim, o câncer é multifatorial, mas queria saber se o uso de agrotóxico está relacionado a algum tipo de mutação.

Karen Friedrich – Há vários, mas vai depender do tipo de agrotóxico e do estudo que se fez. Hoje, o melhor exemplo disso são três agrotóxicos que a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da OMS (IARC), estudou, são eles: glifosato, o 2,4 D e o malation. O IARC é um grupo de pesquisadores muito reconhecido na área de carcinogênese (estudo de formação do câncer). São feitas avaliações de todos os estudos científicos publicados sobre várias substâncias químicas, já fizeram estudo sobre tabaco, cafeína, benzeno, formaldeído e outras várias substâncias. Em 2015, publicaram o resultado dessa avaliação para esses três agrotóxicos.

O malation foi considerado provável carcinógeno, do grupo 2A. Em uma escala de 1 a 5, onde o 1 representa o maior risco de câncer, o malation está em segundo lugar. O malation é usado naquele fumacê para o controle do mosquito da dengue, daí, percebe-se como é grande o impacto. O 2,4D e o glifosato são herbicidas e têm como função matar ou aniquilar a erva daninha. O glifosato foi considerado também do grupo 2A. E o 2,4D seria do grupo 2B, representando um potencial um pouco menor.

O IARC identificou no glifosato e no 2,4D um grande potencial cancerígeno, principalmente o linfoma não Hodgkin. Esses agrotóxicos podem causar o mesmo tipo de câncer, então o que acontece se misturar os dois agrotóxicos? Não se sabe, mas a gente suspeita que a chance de causar o linfoma não Hodgkin seja maior se eles forem usados em mistura. Mas para quem pensa “Ah, ninguém vai usar isso em mistura”, pois vai.

Uma das coisas que aconteceu, que tem grande interação com área da biodiversidade, é que no Brasil foi liberada uma semente transgênica resistente ao glifosato e ao 2,4D ao mesmo tempo. Então, o que significa? A pessoa vai plantar a soja e o que ela vai poder usar como herbicida? O glifosato e o 2,4D. Em geral, quando uma empresa libera uma semente com resistência a dois agrotóxicos, ela vai liberar o produto químico no galão com os dois já misturados. Então, se você pode usar esse agrotóxico em grande quantidade nessa plantação transgênica, o uso vai aumentar. E, de novo, qual é o impacto sobre a saúde e os casos de câncer? Isso também não é investigado. Assim que o IARC publicou o seu relatório, a Monsanto, que é a maior fabricante de semente transgênica e resistente ao glifosato, partiu “partiu para cima”, ou seja, questionou os estudos, o posicionamento. Eles fazem uma campanha negativa individualmente  sobre os pesquisadores, isso é de praxe ocorrer. O IARC teve que responder e defender sua posição. Houve algumas discussões interessantes a esse respeito.

Quando o glifosato foi considerado carcinogênico, a Europa estava no processo de revisão do registro do glifosato, lá se faz uma revisão a cada 15 anos. O IARC publicou “glifosato causa câncer” e o que a Europa ia fazer? Manter ou não o registro no mercado? A Europa fez uma avaliação técnica para e dizer se ia liberar ou não.

O país relator dessa avaliação técnica foi a Alemanha, a agência reguladora alemã, a BFR, semelhante à ANVISA. Foi uma briga porque o IARC tinha essa posição e a BFR logo depois da posição do IARC disse que o glifosato não era cancerígeno. O parlamento alemão tinha que aceitar ou não a posição da BFR para renovar ou não o registro. Então, eles fizeram uma audiência pública. O IARC chamou dois pesquisadores, e, na época, outubro de 2015, eu fui representando a ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Foi uma polêmica para ver quem estava certo.

O parlamento europeu acatou em parte a decisão da BFR alemã, mas ao invés de manter por 15 anos, escolheu manter por um ano e meio. Isso para Monsanto foi uma derrota, parcial, mas foi. Daqui a uns seis meses deve estar vencendo essa decisão e vamos ver o que vai acontecer com a Europa se ela vai renovar ou não.

Mas qual era diferença? Por que o IARC tem uma posição tão diferente da agência alemã? E isso é muito parecido com o que ocorre aqui, porque a agência alemã na hora de avaliar se o glifosato era carcinogênico ou não, só avaliou os estudos realizados pela indústria de agrotóxicos e poucos outros estudos publicados na literatura. E o IARC fez o contrário, só considerou os estudos públicos, estudos que estão publicados em revistas científicas sobre sistemas de intoxicação.

Os estudos que a agência alemã analisa, assim como os estudos que a ANVISA analisa são de segredo industrial, então eles não podem ser publicados. E que “segredo” é esse? Essa parte do estudo é o efeito na saúde e no meio ambiente, então isso não é segredo industrial, isso tem que ser uma informação pública! O BFR só analisou os estudos das indústrias, e o IARC outros estudos, inclusive vários outros estudos epidemiológicos, estudos com populações expostas ao glifosato, então ela teve uma posição muito diferente. São estudos realizados em culturas de células, que avaliam o potencial de causar dano no material genético, estudos com animais de laboratório, onde os grupos de pesquisa expõe o animal ao agrotóxico e esperam mais ou menos dois anos para roedores (o tempo todo de vida do animal) para ver se no final da vida eles vão ter aumento na incidência de tumor, e estudos com populações expostas, os estudos epidemiológicos. Quando foi avaliada a célula, animal e do ser humano, foi possível reunir e complementar informações que permitiam concluir que o agrotóxico pode causar câncer.

A lógica das agências reguladoras é um pouco diferente, ela fragmenta muito esse tipo de conhecimento, fragmenta a interpretação dos estudos. Ela não considera essa reunião. Então, foi daí que surgiu a briga. Dependendo do ponto de vista, pode se concordar mais com o IARC, pois é uma agência especialista em câncer. E se ela aponta uma probabilidade de causar câncer, o que vamos fazer? Espalhar o glifosato em milhares de toneladas no Brasil ou vamos recuar e tentar adotar outras práticas? Então, se inverteu todo o princípio da precaução. E a guerra continua, a guerra da disputa de discurso.

Em meados do ano passado, um órgão da OMS e da FAO, que também tem uma postura bastante permissiva ao falar de agrotóxicos, chamado JMPR (Joint for Monitoring Pesticide Residues) publicou outro posicionamento muito parecido com o da agência alemã, dizendo que o glifosato não causa câncer. Só que nessa abordagem eles só avaliaram o consumo através do alimento, enquanto que o estudo do IARC avaliou principalmente populações expostas: o trabalhador e a população ambientalmente exposta. É como a história do alimento: você vai comer um morango hoje envenenado e daqui a 20, 30 anos vai dizer que teve um problema, então é difícil fazer essa associação.

Esse órgão faz só a avaliação teórica, matemática de que se você consumir glifosato em tal quantidade toda a sua vida você vai desenvolver câncer? De novo, sem avaliar mistura, sem avaliar que na região em que se vive é aplicado muito mais do que o permitido. Então quando essa agência publicou esse relatório, fizeram uma guerra de notícias: “a OMS volta atrás na probabilidade de câncer”. Até teve uma reportagem que divulgou isso de forma errada. E não foi isso, ela não voltou atrás, é outro órgão, com outro foco. E a metodologia foi diferente. Foram usados estudos da indústria e só consideraram o consumo de alimento. É interessante porque dois pesquisadores do JMPR já tinham recebido financiamento de pesquisa da Monsanto. Então, quer dizer, será que eles têm isenção? É um escândalo, não é? Então tem toda essa guerra em torno do glifosato. Mas, o que a gente tem de agrotóxicos de um modo geral são vários estudos mostrando o câncer individualmente e os estudos que avaliam os cenários reais, aonde você tem uma mistura. Um exemplo é um estudo de tempos atrás que avaliou o aumento de risco de tumor de cérebro na região serrana no Rio de Janeiro. Só que dificilmente você vai associar isso a um agrotóxico, se o trabalhador está ali e, a cada momento do ano, ele vai usando vários agrotóxicos, na verdade, o câncer é resultado dessa mistura e desse processo de trabalho e não de um só agrotóxico. Na legislação brasileira do jeito que está (que até pode piorar), a ANVISA só considera que pode causar câncer quando ele consegue associar o câncer a um agrotóxico, ou ao glifosato, malation, 2,4D, mas é difícil você encontrar esse tipo de estudo na vida real. Ou seja, a regra é feita para você só conseguir proibir um agrotóxico se for possível mostrar nesse esquema de avaliação de registro, o que é muito fora da realidade.

Veja também:

Dossiê ABRASCO – Um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Dados Abertos sobre Agrotóxicos – Portal desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo Grupo de Engenharia do Conhecimento (Greco).

Saiba mais: 

Por uma regulação Global para agrotóxicos

Chuvas de veneno nas cidades

Agrotóxicos triplicam anomalias em bebês

Transgênicos para além do marketing e das agências reguladoras

Rio de Janeiro, 6 de junho de 2017             Texto: Juliana Correa Edição: Profa. Dra. Mariana Leal Rodrigues

Créditos das fotos: Mariana Rodrigues (Karen Friedrich em entrevista) e Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida

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Um comentário sobre “Uso seguro de agrotóxicos é irreal, entrevista com Karen Friedrich

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